(ENEM PPL - 2013)
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Meu povo, meu poema |
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| Meu povo e meu poema crescem juntos | |
| Como cresce no fruto | |
| A árvore nova | |
| No povo meu poema vai nascendo | |
| Como no canavial | |
| Nasce verde o açúcar | |
| No povo meu poema está maduro | |
| Como o sol | |
| Na garganta do futuro | |
| Meu povo em meu poema | |
| Se reflete | |
| Como espiga se funde em terra fértil | |
| Ao povo seu poema aqui devolvo | |
| Menos como quem canta | |
| Do que planta | |
| FERREIRA GULLAR. Toda poesia. José Olympio: Rio de Janeiro, 2000. |
O texto Meu povo, meu poema, de Ferreira Gullar, foi escrito na década de 1970. Nele, o diálogo com o contexto sociopolítico em que se insere expressa uma voz poética que
precisa do povo para produzir seu texto, mas se esquiva de enfrentar as desigualdades sociais.
dilui a importância das contingências políticas e sociais na construção de seu universo poético.
associa o engajamento político à grandeza do fazer poético, fator de superação da alienação do povo.
afirma que a poesia depende do povo, mas esse nem sempre vê a importância daquela nas lutas de classe.
reconhece, na identidade entre o povo e a poesia, uma etapa de seu fortalecimento humano e social.